domingo, 2 de dezembro de 2007

Deputados recebem vídeo com cenas de violência no Pará - http://g1.globo.com/Noticias/Brasil/0,,MUL198570-5598,00-DEPUTADOS+RECEBEM+VIDEO+COM+CENAS+DE




Vídeo mostra cenas de uma jovem sendo violentada por detentos.
Conselho Tutelar deve analisar imagens para identificar a vítima.



A Comissão da Câmara dos Deputados comunicou, nesta quinta-feira (29), à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) do Pará a existência de um vídeo que mostra cenas de uma jovem sendo violentada por detentos. Os parlamentares visitam o Pará para apurar as denúncias de abusos sexuais sofridos por uma jovem que ficou presa em uma cela com 20homens em Abaetetuba.
De acordo com Valena Mesquita, conselheira da OAB-PA, a comissão apreendeu o aparelho celular em que foram feitas as imagens. Os parlamentares devem solicitar ao Conselho Tutelar que identifique se a jovem que aparece nas imagens é a mesma que ficou por um mês detida com 20 homens.
A presidente da OAB-PA, Ângela Sales, defendeu nesta quinta-feira o afastamento de todos os policiais civis do município de Abaetetuba. "Vou pedir a cabeça de todos os policiais civis envolvidos em qualquer tipo de exploração sexual de menor no âmbito da Polícia Civil e qualquer violação de direitos humanos por divisão de cela mista seja adolescente, seja mulher, seja portadores de deficiência, aqueles que nós temos o dever de proteger prioritariamente em qualquer município do Pará", afirmou.
Detentas. A comissão ouviu nesta quinta-feira relatos de dententas no estado. Os depoimentos aconteceram na sede da OAB-PA, em Belém. Na sexta-feira (30), mais detentas serão ouvidas. Na parte da manhã, a comissão e a Promotoria de Direitos Humanos do Ministério Público do Estado estiveram no Centro de Recuperação Feminino (CRF), em Ananindeua, para uma vistoria nas dependências da casa penal. Valena disse que foram constatadas péssimas condições no centro. "O CRF tem que ser interditado. Não existem condições mínimas para as presas, lá tudo é precário", afirmou. Segundo a conselheira, o principal motivo para os depoimentos acontecerem na sede da OAB é o fato de o local ser um território neutro. "As presas se sentem ameaçadas pela direção e pelas agentes e temem falar à comissão estando no mesmo lugar que essas pessoas", afirmou. Ainda de acordo com ela, os membros da comissão chegaram a presenciar as ameaças às detentas no momento da vistoria na manhã desta quinta-feira. "Existem duas alas no CRF, que são contêineres que viraram celas. As presas que ficam nessas celas, que são gradeadas na parte de cima, foram ameaçadas pelas agentes, na nossa frente, para que não falessem nada à comissão", disse. Ainda segundo a conselheira, esse modelo de celas em contêineres foi importado do Rio Grande do Sul. "O problema é que esse modelo serve para lugares com outro clima, diferente do Pará. Nós entramos nessas alas e é um calor infernal, não tem condições de abrigar detentas", afirmou. Após os depoimentos, a comissão deverá encaminhar um relatório cobrando providências do Sistema Penal, Secretaria de Segurança Pública e Defensoria Pública. Este último órgão receberá o documento porque algumas presas afirmaram não ter advogados e que não há mutirão do órgão no CRF há alguns anos.

Homem que diz ser "vampiro" é preso em São Paulo - Cícero Affonso




http://noticias.terra.com.br/brasil/interna/0,,OI2054672-EI5030,00.html


O místico Vandeir Máximo da Silva, 27 anos, que se autodenomina Vampiro e usa o codinome de Wlad Hacamia, foi preso nesta quarta-feira, em Presidente Prudente (565 Km a oeste de São Paulo). Ele é acusado de aliciar jovens e morder seus pescoços para que eles se tornem "seres da noite". Mais de 15 jovens com idades entre 13 e 16 anos já teriam sido mordidos.
» Polícia ouve jovens sobre "vampiro"
» Polícia procura "vampiro" em SP
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Segundo a polícia, Wlad estaria aliciando os adolescentes para que participassem da seita "Legião de Salvadores do Mundo", em que ele promete aos jovens poderes sobrenaturais como a imortalidade, pois os transformaria em anjos dotados de asas, que seriam vampiros e guardiões de cemitérios.

O suspeito teria abordado os adolescentes em um shopping da cidade e nas imediações de algumas escolas. Ele convidaria os jovens de ambos os sexos para reuniões na praça das Cerejeiras que fica no Jardim Icaray, em Prudente.

Ontem, o delegado Dirceu Gravina, titular do 4º Distrito Policial de Presidente Prudente ouviu diversos adolescentes que tiveram contato com o místico. Gravina explicou que os adeptos desse grupo, na sua maioria, praticam a psicosexopatia denominada vampirismo. "Nesse caso, a satisfação da libido é alcançada ao sentir o sangue de outra pessoa", disse.

ONG Greenpeace é proibida de sair do Pará com árvore - Sílvia Freire




18/10/2007 - 10h10
ONG Greenpeace é proibida de sair do Pará com árvore



Uma carreta do Greenpeace transportando uma castanheira de 13 metros foi retida anteontem por assentados rurais da localidade de Castelo dos Sonhos, distrito de Altamira (cerca de 1.800 km de Belém), no Pará, e oito integrantes da ONG não puderam deixar a cidade.

Os manifestantes cercaram o caminhão e mais um veículo dos ambientalistas, que conseguiram escapar do cerco e obter refúgio em um posto do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis). Os ativistas só conseguiram deixar Castelo dos Sonhos no final da tarde de ontem, após mais de um dia de negociações. O tronco da castanheira ficou na cidade.

O Greenpeace tinha autorização do Ibama para retirada da árvore, que já estava caída e parcialmente queimada. A castanheira seria usada na exposição "Aquecimento Global: Apague Essa Idéia", que acontecerá em São Paulo e no Rio de Janeiro. Ontem, o Ibama anulou a autorização, para evitar o agravamento do conflito entre ativistas e assentados.

Segundo Isabel Oliveira, uma das lideranças do PDS (Projeto de Desenvolvimento Sustentável) Brasília, em Castelo dos Sonhos, os agricultores ficaram revoltados porque o Greenpeace retirou a árvore do assentamento, enquanto os agricultores estão impedidos judicialmente de usar a área para a agricultura familiar. Há dois meses, a Justiça Federal interditou 99 assentamentos no Pará.

"Somos contra o desmatamento. Queremos regularizar a área e usar 20% dela para agricultura", disse Oliveira. Para o Greenpeace, os assentados são liderados por madeireiros.



http://www1.folha.uol.com.br/folha/ambiente/ult10007u337694.shtml

Mercenários - A privatização da guerra - Carlos Reis




Os mercenários actuais poucas semelhanças têm com os do passado, mesmo recente. Profissionais organizados e contratados por empresas privadas, só partilham com os antigos soldados da fortuna uma característica:

aproveitam-se das necessidades de segurança em zonas de guerra e instabilidade para ganharem o mais possível.

A Convenção de Genebra de 1949, que proíbe o uso de mercenários, define-os como «pessoas recrutadas para um conflito armado por um país que não é o seu e movidas apenas pelo ganho pessoal». Os responsáveis das empresas militares privadas garantem não se envolver em combates e apenas fornecer serviços militares a Governos legítimos e reconhecidos internacionalmente. Garantias insuficientes para a relatora especial das Nações Unidas sobre o uso de mercenários, Shaista Shameen, que em Março afirmou que «a multiplicação de empresas militares privadas diluiu a eficácia das leis nacionais e internacionais». A relatora da ONU encorajou mais países membros das Nações Unidas a aderirem à Convenção Internacional Contra o Recrutamento, Uso, Financiamento e Treino de Mercenários.
No Iraque, um contingente de dez mil militares privados faz dos mercenários o segundo exército no teatro de operações, logo depois do norte-americano e à frente do britânico. Segundo o diário inglês The Guardian, a percentagem de militares contratados em território iraquiano é dez vezes superior ao que era na Guerra do Golfo, em 1991. Nessa altura, para cada militar privado havia 100 soldados do Exército, actualmente, essa relação é de um para dez.
Este investimento em mercenários é uma das tendências da guerra moderna, concebida pelos ideólogos da administração Bush. A estratégia dos neoconservadores norte-americanos procura atenuar o impacto sobre a opinião pública da morte dos seus militares e, por outro lado, baixar os custos financeiros da guerra. Mercenários nepaleses, bengalis ou latino-americanos custam menos e a sua morte provoca menos ondas.

Empresas guerreiras

A empresa Halliburton (que teve como vice-presidente Dick Cheney, ex-secretário de Defesa norte-americano) é apontada como a grande recrutadora de mercenários, visando a defesa dos interesses corporativos dos Estados Unidos no Iraque. Os salários destes «militares privados» podem ir dos 130 aos 9000 euros por mês, valor auferido quando são recrutados na América entre os ex-membros de forças paramilitares, portanto já com baptismo de fogo nas lutas internas latino-americanas. O general Rafael Samudio, presidente da Associação Colombiana de Oficiais na Reserva, orgulha-se de o seu país «ter condições de fornecer pessoal bem capaz, já que as Forças Armadas Colombianas lutam contra os rebeldes, nas montanhas e selvas, há 40 anos».
Dos 87 milhões de dólares que os Estados Unidos destinaram, em 2003, para a campanha iraquiana, a Ásia Central e o Afeganistão, um terço, ou seja, 30 mil milhões, destinaram-se ao pagamento a empresas militares privadas. Peter Singer, analista da Brookings Institution e autor do livro Corporate Warriors (Guerreiros das Corporações), calcula que as empresas militares privadas movam em todo o mundo cerca de 100 mil milhões de dólares. Um estudo, realizado em 2002 pelo International Consortium of Investigative Journalists, identificou 90 empresas militares privadas, quase todas norte-americanas, britânicas ou sul-africanas, que estariam a operar em 110 países.

Privatização da paz?

À semelhança da administração norte-americana, também o Governo britânico estuda a contratação de mercenários, desta feita para missões de paz. Um documento recente, preparado para o Ministério das Relações Exteriores, afirma que empresas privadas de boa reputação podem ser capazes de realizar missões de paz de uma forma mais eficiente do que os capacetes azuis da ONU. O ministro da pasta, Jack Straw, escreve no prefácio do estudo que «um sector militar privado forte pode ajudar as Nações Unidas a responder a crises com maior rapidez e eficiência».
O documento afirma ainda que, com as mudanças que estão a ocorrer, a prestação de serviços militares por empresas privadas é uma actividade que tende a crescer. Por esse motivo, os autores dizem ser desejável tentar distinguir entre as várias empresas do sector. Como exemplo, o estudo aponta que algumas empresas privadas, quando actuam em África, demonstram mais respeito pelos direitos humanos do que os próprios Governos nacionais. «O mundo actual é muito diferente do dos anos 60, quando a actividade militar privada se caracterizava pela intervenção de mercenários, de um tipo difícil de aceitar, nos conflitos coloniais e pós-coloniais», afirma Jack Straw.
Mas o parlamentar Andrew Mackinlay qualificou a ideia de «repugnante», por considerar que a contratação de mercenários para integrar as forças de manutenção da paz representaria «uma abdicação das responsabilidades dos Governos e das agências que defendem os elevados ideais da ONU». O analista Peter Singer afirma que, pela primeira vez na história do moderno Estado-nação, os governos estão a ceder aquele que é um dos principais atributos do próprio Estado: o monopólio sobre o uso legítimo da força.

O castigo de Thatcher

A acção das empresas de segurança e planeamento operacional decorre num verdadeiro vácuo jurídico, embora formalmente seja enquadrada pela Convenção de Genebra, de 1949. Os mercenários têm treino, armas e actuam frequentemente em instalações militares, o que implica envolvimento directo no conflito. Já as empresas especializadas escondem-se habitualmente numa rede fantasma, com múltiplas conexões, empresas subsidiárias, filiais e subcontratações.
Muitos dos profissionais contratados cometem atentados contra os direitos humanos, ou são deles vítimas pelas condições em que foram levados a envolver-se no conflito. Mas se os há, torna-se difícil saber a quem pedir responsabilidades – se ao país de alistamento, ao país da empresa contratante, à cadeia de comando militar ou ao país hospedeiro.
Com o recrutamento destes soldados corporativos a ser feita entre paramilitares ou guerrilheiros, grupos definidos como terroristas, Adam Isaacson, do Center for International Policy, alerta que «se recruta ex-terroristas para proteger pessoas e bens contra terroristas». Pode também acontecer que estes combatentes a soldo participem em conflitos condenados pelos seus países.
Os incidentes com mercenários sucedem-se. Um dos mais embaraçosos ocorreu em Março do ano passado, com as autoridades do Zimbabué a deterem 70 mercenários que, alegadamente, se preparavam para participar num golpe de Estado na Guiné Equatorial. Envolvido na operação, Mark Thatcher, filho da ex-primeira-ministra britânica, foi condenado a quatro anos de prisão por ter violado a lei que proíbe qualquer participação em actividades mercenárias e por financiamento de um golpe de Estado contra o presidente Teodoro Mbasogo. Na altura, o Conselho Executivo da União Africana pediu à Comissão da UA que tomasse «todas as medidas necessárias com vista a achar uma solução global para o fenómeno do mercenarismo no continente». Iniciativa privada para alimentar ainda mais guerras? Como se à África não lhe chegasse e sobrasse os combatentes «oficiais» que as fomentam um pouco por todo o lado.

Ofício milenar
O antigo Egipto (3100 a. C.-232 a. C.) já utilizava mercenários líbios para guardar as suas fronteiras. Da mesma forma, na Grécia antiga (1550 a. C.-529 a. C.) inúmeros combatentes estrangeiros incorporavam-se nos exércitos das cidades, enquanto os próprios gregos prestavam serviços ao império persa. Cartago testemunhou uma terrível revolta dos seus mercenários (241 a. C.-238 a. C.). Com a Revolução Francesa (1789) considera-se que cada cidadão deve lutar pela sua pátria e que é desonroso servir outro país. É o princípio do declínio dos soldados de aluguer.
Somente na segunda metade do século XX, após o fim dos impérios coloniais em África, os mercenários reaparecem em pleno nos campos de batalha. Nos anos 90, a intensificação das actividades mercenárias em todos os continentes é, em parte, um efeito do aumento no mercado da oferta de «mão-de-obra», libertada pelo fim da Guerra Fria e do regime do apartheid. Trata-se de uma reconversão dos ex-soldados do Pacto de Varsóvia e da África do Sul que, hoje, vendem os seus serviços a multinacionais.


http://www.combonianos.pt/htmls/EEyEFFAlklyGLwCAbC.shtml

Uma reflexão sobre o sistema carcerário Brasileiro e os Direitos Humanos




Marina Castro
Estudante de Direito - Unieuro - Brasília



O sistema carcerário, em especial o sistema brasileiro expõe as pessoas a situações cada vez mais desumanas. Diante dos depoimentos da delegada que executou a prisão da menor e do ex-diretor geral da polícia Civil do PA - Raimundo Benassuly, podemos refletir mais uma vez sobre a justiça no Brasil e os Direitos Humanos. Os detentos e os responsáveis pelo cumprimento da lei, convivem com a impunidade tanto de quem comete um pequeno delito, quanto de quem comete a monstruosidade de atirar uma adolescente dentro de uma cela junto com vinte vítimas da desigualdade social e dos nossos preconceitos mais baniveis.
O cidadão de bem que muitas vezes teme a polícia por seu despreparo técnico, intelectual e pelos diversos exemplos midiaticos presentes em nossa realidade, a polícia, que mais uma vez exercita a prática da execução dos Direitos Humanos no país onde “não é admitida a pena de morte” todos perplexos diante do fato que nos permite interrogarmos nossas consciências, dentro do nosso senso comum no que se refere ao conhecimento da lei:
- O que leva um ser humano a se eximir da responsabilidade por ter atirado uma menina às feras do nosso sistema, colocando-a em uma cela junto vinte outros presos?
- Talvez a mesma frieza que também nos permite, como desconhecedores da lei, usarmos nossos preconceitos para desintegrarmos os presos e os menores infratores ao lixo sub-humano, para continuarmos vivendo em paz, dentro das nossas prisões de luxo, condomínios cercados de grades, casas cercadas de cercas elétricas.
Poderíamos então aproveitarmos o fim do expediente das nossas consciências e nos indagarmos também, sobre o afeto nas relações sociais e sobre a imparcialidade dos agentes públicos diante do conflito com os Direitos Humanos, analisando o provável ser humano em suas horas de pessoa comum, pronunciando-se em declaração dada a uma emissora sobre os motivos que a teriam levado a adotar a “conduta de uma delegada”:
““Tenho consciência que naquele momento ela seria colocada no local que não era adequado pra ser conduzida. Que eu acho que ela poderia sofrer? Poderia. Acho que não é certo? Não. Mas a minha conduta enquanto delegada de polícia não me dá respaldo pra que eu decida se aquela situação é justa, se a situação é humana, se a situação é desumana” - declara Flávia Verônica Pereira, delegada que prendeu a adolescente de 15 anos em Abaetetuba, nordeste do Pará. Confirmando que sabia que a menor seria colocada numa cela masculina.
Ou ainda irmos mais a fundo com a declaração de Raimundo Benassuly, ex- diretor-geral da Polícia Civil – PA.
“Acredito que essa moça... ela tem com certeza algum problema, alguma debilidade mental, porque em nenhum momento ela se manifestou a sua maioriadade... A sua menoridade”.
E por fim fazermos um estudo comparado sobre o senso comum e a elite dos conhecedores da lei tomando como ponto de partida a declaração da mãe da adolescente:
“Doido é eles, ele são doidos, porque eu acho que eles não estavam tento noção do que estavam fazendo com a minha filha”.
Ou ainda concordarmos com Michel Foucault em suas Reflexões sobre A História da Loucura:
“Não é nosso saber que se tem de interrogar a respeito daquilo que
nos parece ignorância, mas sim essa experiência a respeito do que
ela sabe sobre si mesma e sobre o que pôde formular com relação asi própria.”
(Foucault, 1997: 83).

sexta-feira, 8 de junho de 2007

Renata - Claraflor

RENATA
Por: Claraflor
Junho 2007


Ingrata é a covardia que aqueles olhos bêbados
cometeram contra a ingenuidade de quem não esperava.
Foi meu ombro acolher a dor
que te amedrontava trazendo tantas hipoteses
do que aconteceria na mesa de cirurgia,
veio o teu beijo com gosto de podridão mental ...
não quero mais o teu sorriso;
não quero mais as tuas confidências;
não quero mais nada teu!
Estou ferida pelo beijo
que me empurrou sobre a porta do banheiro
e traiu nossa amizade...
Vejo meus olhos no espelho
com cor de ressaca moral...
Não sei odiar...
anda amo a ingratidão da tua alma louca
e fiel aos tantos segredos que trocamos
em noites de bebedeira nos bares da vida
não posso imaginar
os cacos da minha face
espalhados no chão
quando o abraço e o sorriso
que sempre correram na frente
pra chegar primeiro em você
correrem disfarçando o que não sei o que é
não sei quem sou
não sei o que sou agora
e sempre que o gosto dos lábios da minha melhor amiga
volta ao meu pensamento...

segunda-feira, 4 de junho de 2007

CINCO HORAS INDIGENTES - Ébano Silva



CINCO HORAS INDIGENTES
Ébano Silva
3Junho 2007
Saia de mais uma prova, quando no portão do colégio lembrou-se que havia esquecido o celular com o fiscal de sala, ainda indignado com a parte especifica que falava de tantas coisas que nunca havia ouvido: pocilga de seqüestro, desensibilização de aves, carcaças de aves e outras referentes à pecuária e à vigilância sanitária. Voltando p o carro não encontrou a chave, fez o caminho andando vagarosamente esperançoso de que pudesse acha-la: uma, duas, quarenta minutos e não conseguia acreditar que a chave havia sumido. Sentou-se em frete ao estacionamento onde o carro estava, várias ligações a cobrar para os conhecidos, colegas, amigos, parentes e ninguém atendia, o porteiro do edifício percebeu que algo estava errado e se aproximou: - Tá precisando de alguma coisa?
Desceu com o nome do chaveiro e o telefone anotado em um pedaço de saco de pão, aproximando-se do quiosque percebeu que estava fechado, o celular tocou: - Onde você está, tô te esperando aqui na parada a mais de vinte minutos?! Como se tudo não bastasse esqueceu-se que o irmão estava de carona e havia combinado de pegá-lo quando a prova terminasse.
A situação ficou tão crítica que foi obrigada a irmã: - Tudo bem, eu vou esperar o meu marido voltar da caminhada e peço p ele levar o chaveiro até aí! Depois de uma hora de espera, o mundo das cinco horas indigentes começou a mostrar-lhe o outro lado da vida. O estômago roncando quando um casal de namorados passou comendo cachorro quente e aquele cheiro maravilhoso, do que não comia há anos: salsichas( Seria tão bom ter ao menos uma salsicha crua para acalmar a fome!).
Anoiteceu e a irmã não retornava a ligação. A sede lhe fez pensar em economizar a água do planeta, tantas pessoas na rua e ninguém para dar-lhe um copo d’água; dali em diante, todas as vezes que alguém batesse em seu portão iria levantar-se mesmo que estivesse deitada vendo televissão depois do almoço de domingo. Pensou nas pessoas que moram na rua e a certeza chegou-lhe: - Meu Deus! Basta perder a chave do carro, não ter crédito no celular e apenas cartões de crédito na carteira, num final de tarde de Domingo para saber o que é ser um, desses miseráveis que andam por aí estendidos nas calçadas floridas de Brasília. Os olhos ardiam com a sensação de vazio que interrogava-lhe a natureza humana e egoísta; sentia-se um indigente. Desceu algumas quadras de onde havia deixado o carro, todo o comércio estava fechado, se quer um cigarro havia para consola-lo. Salvo por um canivete q trazia na carteira, conseguiu abrir o porta-malas do carro; entrou, estava exausto, deitou-se no banco de trás sentindo-se um daqueles outros, que maltrapilhos andam carregando sua trouxa pela rodoviária.Um saco de balas que havia comprado p a sobrinha estava embaixo do banco, estava salvo depois de umas doze balas sentiu o estômago parar de gritar. Lembrava-se dos filmes de Mackaver, seria tão heróico para o ego, fazer uma ligação direta e depois contar para todos os amigos o que havia feito, mas eram apenas nos filmes, se quer a mixa improvisada ligava o carro.
Não havia mais nenhum candidato saindo da escola, quase ninguém na rua, ouvira todos os cds q gostava quando o telefone tocou: - Consegui um chaveiro, mas vai demorar um pouco, são sessenta quilômetros até aqui!
Desistiu de sua irreverência que sempre costumava levar tudo na esportiva e foi obrigado, ao que nunca conseguia fazer sem tomar banho: cochilou no banco de trás, ouvia seus cachorros latirem, famintos, amarrados a tarde inteira, sentia o travesseiro e o cheiro de amaciante das cobertas.
Depois de duas horas as pessoas apareceram, o homem retirou uma mixa da maleta e depois de uns oito minutos, estavam ali, brindando a chave perdida, no boteco copo sujo, que àquela hora foi o restaurante mais chique da cidade e matou-lhe a fome c um pf requentado. Era gente novamente, depois das cinco horas indigentes.