
Por: Marina Castro
Outra manhã de domingo amanhece, na capital dos insuportavéis prepotentes que crêem cegamente na certeza de um cargo público. Lá vão eles, engarrafando o trânsito, lotando a entrada de mais um local de prova, passei por um grupo, com suas garrafinhas d'água e caneta preta na segurança da bolsa vazia e tão cheia de sonhos, fiquei me perguntando: - O que não deixa essa febre passar? Porquê tantos que sempre acordam tarde, desvirginavam suas pupilas com o sol de outra manhã de domingo? Excessivamente cheios de Direito, do Português que alguns mais desprevenidos de paixão pelas letras, já não aguentam mais, desde a primeira vez, que aquele maldito professor de português entrou na sala e despejou a gramática, ofendendo-lhe até o amor que todos guardam por aquela alma que entrou na turma e que nunca esquecemos, poupe-me dessas bajulações, já odiei alguns que negaram-me décimos ou um boa tarde. Continuei olhando-os seguirem para seus destinos incertos, imaginando o que sonham essas pessoas que vão aproveitar o domingo, sentados de cabeças enfiadas na maldita sagrada que ao final da tarde terá traçado sua felicidade, levado-os ao inferno das questões que ecoam na mente até a hora do gabarito.
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